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Melanoma vaccines
Mark F. Naylor, MD1
Dermatology Online Journal 6(1): 5
Traduzido pelos Drs. George Leal e Luciana Barros (cortesia do Laboratorio Ethicall)

1. Department of Dermatology, University of Oklahoma Health Sciences Center





Resumo

As vacinas para melanoma são a melhor esperança a curto prazo para melhorar a mortalidade em pacientes com doença avançada. Embora essas vacinas estejam sendo desenvolvidas para o tratamento de pacientes com doença avançada, sua toxicidade relativamente baixa as tornam atrativas como terapia adjuvante em pacientes estágio I com alto risco de recorrência. Os desenvolvimentos recentes em vacinas de melanoma são revisados e sua importância para os dermatologistas é enfatizada. (arranjo a partir do Encontro dos integrantes da lista RxDerm-L, Novembro de 1999, San Antonio, Texas)



Introdução

O desenvolvimento de vacinas de melanoma está ocorrendo a passo acelerado, um ponto de interesse para os dermatologistas por várias razões. O gerenciamento de um melanoma avançado normalmente envolve mais de um médico. Os dermatologistas são frequentemente os primeiros ou segundos médicos consultados, e nós devemos estar aptos a iniciar e conduzir o manejo posterior dos pacientes com doença avançada, mesmo se nós não formos ser os profissionais de cuidados básicos. Quando estes pacientes solicitam conselhos acerca de suas opções de tratamento, nós precisamos estar preparados para discutir essas questões com conhecimento. Melanoma é e deveria ser uma doença nossa competência. O fato de outros médicos como especialistas em cirurgia, oncologistas e radiologistas serem necessários para tratar adequadamente pacientes com doença avançada, não nos divorcia de nossa responsabilidade de ajudar da maneira que pudermos. No mínimo, esses pacientes deveriam ser monitorados por um dermatologista para a ocorrência de novas lesões primárias. Também deveriam ser feitos esforços para prevenção primária no sentido de reduzir novas ocorrências no paciente e familiares mais próximos. As Vacinas de Melanoma aumentarão nossa habilidade de intervir no futuro e nós devemos estar familiarizados com o desenvolvimento nessa área.

As Vacinas de Melanoma como são atualmente usadas não estão direcionadas a prevenir melanoma; ao inves disto, elas tem sido preferencialmente usadas para impulsionar respostas imunes a tumores pre-existentes. Diferentemente da quimioterapia tradicional ou dos modificadores da resposta biológica, as vacinas de melanoma tem relativamente baixa toxicidade e possuem, potencialmente, um alto grau de eficácia. Por este motivo, provavelmente serão adotadas como terapias adjuvantes para pacientes em estágio I com alto risco para recorrência. Isso faz dos dermatologistas, logicamente, os médicos mais adequados para administrar as vacinas, ja que estamos diagnosticando e tratando esses pacientes frequentemente.

A Imunoterapia inclui técnicas para estimular a resistência imune natural a tumores tanto com vacinas como com os modificadores da resposta biológica, primariamente citoquinas envolvidas na modulação das respostas imunes. O ocasional desaparecimento dramático de metástases difusas espontaneamente ou mais comumente com um tratamento paliativo com dicarbazina é provavelmente atribuível na maioria dos casos a uma resposta imunológica enérgica e bem sucedida. O paciente ocasional que sobrevive, mesmo possuindo doença metastática, por uma década ou mais, é certamente também uma prova de resposta imunológica efetiva do hospedeiro. Esses exemplos ocasionais demonstram o poder do sistema imune em deter ou até mesmo curar o que parece ser um caso irremediável. Claramente, nós gostaríamos de poder alcançar esse resultado deliberadamente em todas as vítimas de melanoma. A chave para se alcançar uma resposta imune previsível e significativa em pacientes com câncer consiste em uma melhor comprensão da natureza da imunidade tumoral.


Imunidade Tumoral

Em geral há dois tipos de resposta imune anti-tumoral. Um envolve o braço humoral do sistema imunológico e o outro envolve o braço celular do sistema imunológico. Um aspecto importante de ambos é a habilidade das células apresentadoras de antígeno em processar e apresentar antígenos peptídicos tumor-relacionados que são a base primária para o reconhecimento imune de células tumorais. Antígenos tumorais que foram fagocitados e parcialmente digeridos pelas células apresentadoras de antígenos são apresentados como peptídeos ligados a receptores MHC tipo II na superfície das células apresentadoras de antígeno (Figura 1). Exemplos dessas células apresentadoras de antígeno incluem macrófagos, células epidermicas de Langerhans, outros tipos de células dendríticas e células B. Os receptores de superfície das células MHC classe I , que constituem a base para a tipagem tissular do HLA, estão presentes em todas as células nucleadas do corpo, incluindo as células tumorais. Estes receptores, semi-randomizadamente, apresentam exemplos de peptídeos presentes dentro da célula. Os receptores MHC classe I também apresentam antígenos tumor-específicos na superfície da célula tumoral, dando a oportunidade para o sistema imune adequadamente sensibilizado reagir ao tumor.


O Braço Anticorpo-Mediado da Imunidade Tumoral

Os mecanismos anticorpo-dependentes da imunidade tumoral incluem citotoxicidade celular mediada dependente de anticorpos (CCMDA), citotoxicidade dependente de complemento(CDC) e opsonização. Esses mecanismos dependem da habilidade do sistema imune em criar anticorpos para antígenos de superfície celular tumoral que nesse caso não tem que ser apresentados a receptores MHC classe I como com as respostas mediadas por células T a serem discutidas posteriormente.


Citotoxicidade mediada por celulas dependente de anticorpos (CMCDA)

CMCDA envolve a anexação de anticorpos tumor-específicos a células tumorais e subsequente destruição da célula tumoral pelas células imunocompetentes. Receptores Fc nas células imunocompetentes reconhecem a porção Fc dos anticorpos aderindo à antígenos tumorais de superfície (Figura 2). Mais comumente a célula efetora do CMCDA é uma célula "killer" (NK). Após reconhecimento e ligação via seus receptores Fc, as células " Natural Killer" (NK) podem destruir a célula tumoral alvo através da liberação de grânulos contendo perfurina e granzimina B e/ou ativação do sistema de apoptose de ligação FAS/FAS na célula alvo. Moléculas de perfurina fazem furos ou poros na membrana celular, rompendo a barreira osmótica e matando a célula por lise osmótica.


Citotoxicidade mediada por células dependente de complemento (CDC)

A citotoxicidade mediada por células dependente de complemento envolve o reconhecimento e ligação de anticorpos fixadores de complemento a antígenos específicos na superfície do tumor seguidos da ativação do complemento (Figura 3). A ativação sequencial dos componentes do sistema complemento leva ao final à formação do complexo de ataque à membrana (CAM) o qual forma poros transmembrana que rompem a barreira osmótica da membrana e levam à lise osmótica. Os CAMs funcionam similarmente às moléculas perfurinas liberadas por células T citolíticas e células NK, matando as células através de lise osmótica.


Opsonização

Opsonização é o processo no qual anticorpos tumor-específicos ligam-se a seus antígenos alvos na superfície tumoral celular, marcando-as assim para a digestão por macrófagos (Figura 4). Isso também pode levar ao processamento e apresentação de novos antígenos tumor-específicos pelo macrófago em adição à destruição direta das células tumorais.


O braço mediado por células da Imunidade Tumoral

As defesas tumorais mediadas por células incluem linfócitos T citolíticos, células NK e macrófagos. As células T citolíticas (CD8 positivas) destroem as células tumorais via reconhecimento por seus receptores do antígeno tumoral específico presente no receptor MHC tipo I na superfície da célula tumoral. Células T tumorais antígeno-específicas ligam-se ao complexo antigênico do receptor tumoral MHC I e destroem a célula tumoral via liberação de grânulos contendo granzimina B, perfurina e via indução da apoptose através do mecanismo FAS (Figura 5). Adicionalmente ao fato de serem as principais células efetoras para a CMCDA, as células NK participam na imuno resposta tumoral de outra forma. Todas as células nucleadas expressam receptores MHC I em sua superfície (Figura 6). O propósito básico do receptor MHC I é apresentar antígenos peptídicos endógenos (próprios) em uma superfície celular. Quando um antígeno peptídico invasor tal qual o antígeno tumor-específico é apresentado pelo complexo de superfície MHC I, células T citolíticas reativas ao antígeno podem reconhecer o petptídeo alienígena com seus receptores para célula T e matar a célula. Outra função dos receptores MHC I é inibir a tendência inata das células NK a se ligarem e matarem as células. Os tumores podem tentar evitar a imunovigilância através do comprometimento da regulação da expressão dos receptores MHC I, evitando portanto o reconhecimento das células T. Contudo, devido ao fato da expressão de MCH I ser necessária para inibir a função "killer" natural, as células tumorais que subregulam a expressão dos receptores MHC I tornam a si proprios como alvos ao ataque da célula "killer" natural.


Fases dos Experimentos Clínicos

O FDA divide os experimentos clínicos em 3 e algumas vezes 4 tipos ou fases; os estudos em cada fase tem uma intenção em particular.. O conhecimento da fase do experimento portanto dá ao leitor pistas da intenção primária do estudo, que deve ser levada em conta quando da recomendação de pacientes para as experiências clínicas. Experimentos da fase I são estudos de pequena escala de poucos ou poucas dúzias de pacientes que são primariamente estudos de dosagem com intenção de revelar qualquer toxicidade do tratamento em questão. A eficácia é uma questão secundária em estudos de fase I, apesar dessas informações serem tipicamente procuradas, além de dados de toxicidade e efeitos colaterais. Embora, na maioria dos casos, estudos de segurança em animais tenham precedido a fase I do experimento, essa é tipicamente a primeira vez que a droga ou aparelho é usado(a) em humanos e é portanto ainda altamente experimental.

A fase II dos experimentos clínicos são normalmente estudos de averiguação de dosagem em um bom número de pacientes (algumas dúzias ou mais) e normalmente tem intenção de identificar a dose ideal de uma droga. Questões de toxicidade e eficácia são de importância aproximadamente igual na fase II do estudo. Se um tratamento ainda parece promissor após a fase II do estudo, uma fase III de larga escala será tipicamente conduzida a seguir.

A fase III dos experimentos clínicos são estudos de larga escala com muitas dúzias ou centenas de pacientes com intenção primária de demonstrar a eficácia da droga ou mecanismo em um número significativo de indivíduos. Eficácia, segurança e toxicidade são todos aproximadamente de igual importância na fase III do estudo, embora a segurança da droga projetada ao público em geral seja uma precupação muito importante nesses estudos. Esta é normalmente a última chance para o FDA suspender uma droga que tem toxicidade inaceitável antes que seja introduzida no mercado americano.

A fase IV dos experimentos clínicos tem sido utilizada para descrever esforços pós-comercialização no sentido de reunir dados de segurança ou outras informações em um número muito maior de pessoas uma vez que a droga foi liberada no mercado. Estudos de fase II ou III tendem a ter menos riscos para os voluntários em termos de toxicidade do tratamento. Contudo, o fato do melanoma ser uma doença fatal com nenhum tratamento de escolha claramente efetivo, significa que um tratamento altamente experimental no estudo de fase I pode oferecer a melhor esperança para um paciente individual.


Vacinas de Melanoma

Os tipos de vacina de melanoma que serão discutidos aqui são vacinas derivadas de cultura de células multivalentes, vacinas de células de melanoma autólogas, vacinas peptítidas, de DNA e vacinas de células dendríticas. Estas são a maioria dos tipos de vacinas atualmente em utilização e sob estudo.


Vacinas Derivadas de Culturas de Células Multivalentes

As Vacinas Derivadas de Culturas de Células Multivalentes são criadas por processamento de vários tipos diferentes de células de melanoma obtidas in vitro. Essas são vacinas de células não autólogas e o uso de muitas linhagens celulares ajuda a assegurar que ao menos alguns dos antígenos na vacina são compartilhados pelo próprio tumor do paciente (Figura 7).

A vantagem destas vacinas é que elas nao requerem colheita e processamento de celulas autologas de melanoma do proprio paciente. Devido ao uso de um numero de linhagens celulares diferentes, estas vacinas provavelmente possuirao alguns antigenos relevantes levando-se em conta o tumor do paciente. Uma desvantagem é que estas vacinas sao ineficientes, ja que a maior parte da resposta imunologica provavelmente se perde com antigenos irrelevantes que nao estao presentes no tumor do paciente.

A marioria dos experimentos clinicos com as vacinas de melanoma nas últimas duas décadas utilizaram vacinas de melanoma de células multivalentes. Essas vacinas não tiveram um impacto considerável no geral considerando-se sobrevivência a longo prazo em casos avançados de melanoma, embora respostas importantes tenham sido vistas em casos individuais[1]. Uma maior utilização de adjuvantes ou administração concomitante de modificadores de resposta biológica podem melhorar as respostas vistas com essas vacinas, embora problemas de custo, problemas de controle de qualidade lote a lote e eficácia possam limitar o futuro de vacinas desse tipo.


vacinas de Células Autólogas

As vacinas de células autólogas são preparadas a partir da coleta de células de melanoma do paciente individual a ser tratado (Figura 8). Vacinas de células autólogas tem ao menos duas variantes gerais, vacinas de células mortas e vacinas de células autólogas recombinantes.


Vacinas de Células Vivas ou Mortas

As vacinas de células mortas requerem menos manipulação in vitro do que as vacinas de células autólogas recombinantes. O tecido do melanoma do paciente é coletado, preparado e em seguida reinjetado com algum tipo de adjuvante. As células podem estar vivas, mas mortalmente irradiadas de forma que não podem propagar-se após a reinjeção. Uma vantagem das vacinas vivas com células letalmente irradiadas é que elas são altamente análogas às células tumorais inalteradas remanescentes no paciente. As respostas imunológicas que comprovam serem letais para as células vacinadas são mais propensas a serem mais letais para as células tumorais tipo selvagens remanescentes.

Um bom exemplo de vacina de células mortas é a vacina AVAX na qual as células do paciente são preparadas e dinitrofeniladas. Isto hapteniza as células tumorais e ajuda a estimular respostas imunes de maneira análoga à imunoterapia tópica para verrugas[2]. Visto que esse é um produto de empresa comercial, pode eventualmente estar disponível em mais localidades que nuitas vacinas oferecidas por um ou dois centros academicos (http://www.avax-tech.com/).


Vacinas celulares de DNA recombinante

Técnicas de DNA recombinante podem ser usadas para alterar vacinas de melanoma de células autólogas de forma que estimule respostas imunes (Figura 9). Por exemplo, IL-2, GM-CSF, ou outras citoquinas podem ser transinfectadas em células do melanoma para torna-las produtores ectópicos dessas potentes substâncias imunomoduladoras. A combinação de antígenos tumor-específicos apresentados na forma de células tumorais vivas porém letalmente irradiadas, na presença de altas concentrações locais de estimulantes da resposta imune biológica, pode impulsionar substancialmente a resposta imune das células imunocompetentes infiltrando-se no local da aplicação da vacina.

A vantagem de células autólogas reside no fato de que já que a vacina é derivada do próprio tumor do paciente, a maioria dos antígenos apresentados serão relevantes. A principal desvantagem da abordagem com células autólogas é a dificuldade de obtenção de células malignas viáveis em número suficiente. Isso só é normalmente possível apenas quando o tumor está bem avançado e o paciente está próximo da morte. O custo de coleta e preparação das células é considerável, e a manipulação recombinante requer instalações laboratoriais avançadas equipadas para produzir tais vacinas.

Os resultados dos experimentos em fase I com células tumorais autólogas processadas por engenharia biológica administradas a humanos foram publicados [3, 4]. Embora encontros recentes de positividade no ANA tenham sido descritos em alguns desses pacientes, nenhum lupus franco foi descrito como consequência de tais vacinas. Além disso, a toxicidade tem sido razoavelmente amena, limitada a vitiligo, dor, inchaço no local da injeção, febre e mal estar. Embora esses resultados recentes não demonstrem melhoras dramáticas em todos os pacientes, eles demonstram sim que essa abordagem pode ser segura e efetiva e deve encorajar trabalhos seguintes.


Vacinas Peptídicas

As vacinas peptídicas são baseadas em epítopos peptídicos (Figura 10). Os epítopos peptídicos de resposta usados em vacinas de melanoma são subsequências de aminoácidos de proteínas derivadas do tumor que foram alvo de respostas imune bem sucedidas em outros pacientes. Estes epítopos foram determinados através de esforços exaustivos para sequenciar os peptídeos presentes em receptores a mediar respostas em linfócitos infiltrados nos tumores (veja Figura 5) para um esquema de um epítopo peptídico de resposta apresentado nos receptores MHC tipo I de células tumorais. Epítopos peptídicos de resposta são potencialmente uma maneira mais eficiente de imunização, ja que apenas as porções mais imunogênicas das proteinas marcadoras tumorais são usadas para imunização. Uma lista satisfatória de tais epítopos peptídicos de resposta presumivelmente deve representar o alvo mais imunogênico para as vacinas de melanoma.

A vantagem das vacinas baseadas em epítopos peptídicos de resposta é que elas disponibilizam a si próprias para produção em massa. Vacinas peptídicas podem ser feitas comercialmente a um custo razoável e tem requisitos técnicos mínimos para administração. Assim, vacinas multivalentes desse tipo podem alcançar potencialmente um número muito maior de vítimas de melanoma com uma resposta melhor do que pode ser prevista com vacinas celulares ou de proteínas elementares.

As desvantagens das vacinas peptídicas são inúmeras. Uma vacina peptídica multivalente que inclua os melhores peptídeos antigênicos para os alvos tumorais mais comuns são altamente desejáveis porém atualmente indisponíveis. No momento, relativamente poucos alvos epitópicos são conhecidos, limitando o valor das vacinas peptídicas contemporâneas.

Outra desvantagem importante das vacinas peptídicas é um problema chamado restrição de HLA (Figura 11). Este deriva do fato de que os receptores MHC I, os determinantes celulares dos tipos teciduais de HLA, apenas podem ligar-se a peptídeos com certo tamanho, forma e limite de carga. Receptores HLA (MHC I) diferentes possuem diferentes tamanhos, formas e cargas para os seus sitios antigenicos de ligação, significando isto que cada receptor HLA tem um limitado repertorio de peptídeos que pode ser apresentado na superficie celular. Portanto, se um peptideo de vacina não pode se ligar ao sítio de ligação antigênico de um dado receptor MCH I, o uso de uma vacina baseada neste peptídeo será inutil, pelo menos em teoria. Isto significa que os epítopos peptídicos são HLA tipo tecidual especificos desde que diferentes receptores MCH I terão diferentes epítopos peptidicos de respostas ideais aos quais caracteristicamente se ligam. Portanto o melhor uso das vacinas peptídicas provavelmente vai requerer o conhecimento do tipo tecidual do HLA do recipiente vacinal para determinar os epitopos peptidicos compativeis com os receptores MHC I nas celulas tumorais do paciente.


Vacinas de DNA "Puras"

As vacinas de DNA puras constituem uma das mais novas categorias de vacinas de melanoma (Figura 12). Essas diferem das vacinas de DNA recombinantes tendo-se em consideração que a transinfecção de DNA exógeno ocorre preferencialmente in vivo do que in vitro, e nenhuma célula tumoral autóloga é requerida. Os modificadores de resposta biológica ou outras proteínas a serem expressas são inseridas em um vetor plasmídico capaz de expressar proteínas exógenas em células de mamíferos. Esses plasmídeos são introduzidos em um leito muscular esquelético ou tecido subcutâneo com a intenção de transinfectar células locais hospedeiras com o plasmídeo recombinante, criando portanto um depósito local de expressão proteica ectópica. Os adjuvantes introduzidos com o plasmídeo irão ajudar a estimular uma resposta imune aos componentes da vacina. A proteína codificada no plasmídeo pode ser um epítopo de resposta antigênico ou uma série deles. Alternativamente, essa pode ser uma maneira de administrar a liberação controlada do modificador da resposta biológica ectopicamente expresso conhecido por ser útil em estimular respostas imunes inatas ao tumor, como a Interleucina 2 (IL-2). Neste último caso, elas podem ser usadas como um adjuvante a outras vacinas ou estratégias de tratamento. Possivelmente elas podem ser usadas tanto em diferentes plasmídeos injetados em diferentes locais, como em diferentes plasmídeos co-injetados nos mesmos locais ou até em um plasmídeo codificador de uma ou mais proteínas, codificadas pelos mesmos plasmídeos.

Uma importante vantagem desse tipo de vacina é que ela não requer células tumorais autólogas ou manipulações individualizadas de DNA. Como tal, elas devem ser favoráveis à produção em massa com requerimentos técnicos mínimos para administração.

Embora elas tenham um bom potencial, vacinas de DNA são as mais experimentais das estratégias de vacinas discutidas aqui. Um importante inconveniente dessa abordagem, que tem sido encontrado em outros estudos de terapia gênica usando vetores de DNA exógeno de vários tipos, é a dificuldade de manutenção dos níveis de expressão tecidual da (s) proteína(s) codificadora(s) de plasmídeo ao longo do tempo. Esse pode ou não ser um problema significativo para a liberação do antígeno (peptídeo), embora possa ser para a liberação contínua de citoquinas ectópicas e modificadores de resposta biológica.


Vacinas de Células Dendríticas

Outro novo enfoque para vacinas de melanoma bastante promissor é a vacina de células dendríticas (Figura 13). Este enfoque tem sido plausível devido a observação de que a fração linfocítica do sangue periférico pode ser estimulada in vitro para obter células apresentadoras de antígeno funcionais. Dessa forma, o sangue periférico pode servir como a fonte de células apresentadoras de antígeno que podem ser preparadas in vitro com um antígeno peptídico importante e em seguida reinjetadas no paciente.

A vantagem desta abordagem é que, enquanto ele requer células autólogas, nenhum tecido tumoral é requerido e o sangue periférico é o único tecido autólogo envolvido. Devido ao antígeno peptídico ser incubado com as células mais importantes para iniciar uma resposta imunológica, a esperança é que esta técnica vá produzir respostas imunológicas ideais para antígenos importantes.

A desvantagem desse enfoque é que é altamente experimental e sofre dos mesmos incovenientes das vacinas peptídicas, visto que os epítopos peptídicos de resposta são mais comumente os antígenos tumorais que são incubados com as células dendríticas. Este enfoque também requer um sofisticado laboratório imunológico equipado para adequar o processo e manusear as células dendríticas.


Modificadores de Resposta Biológica

Os modificadores de resposta biológica estão frequentemente envolvidos com a tecnologia de vacinas, visto que essas moléculas sinalizadoras são normalmente mediadores de respostas imune. Modificadores de resposta biológica são frequentemente usados como uma parte integral da estratégia primária de vacina ou como importantes adjuvantes de vacinas. Alguns deles comumente associados com a terapia de vacinas estão mencionados aqui.


Fator Estimulante de Colônias Granulocítico/Macrofagocítico (FEC-GM)

O Fator Estimulante de Colônias Granulocítico/Macrofagocítico (FEC-GM) induz as células dendríticas a se desenvolverem transformando-se em células apresentadoras de antígeno maduras. Assim, aumenta sensivelmente a apresentação de antígenos que estão presentes endogenamente ou como parte da estratégia de vacina. Estudos recentes indicam que este pode ser um dos agentes adjuvantes mais potentes descobertos até hoje. Dessa forma, o FEC-GM é frequentemente encontrado como estratégia primária (p.ex. como uma proteína expressada ectopicamente em vacinas recombinantes) ou como um adjuvante farmacológico que é injetado com outros tipos de vacinas.


Interleucinas

Interleucinas é um nome genérico dado a moléculas sinalizadoras intracelulares que os linfócitos utilizam para comunicar-se uns com os outros. Assim sendo, elas são mediadores importantes de respostas imunológicas e podem ser usadas para aumentar respostas a vacinas antigênicas.

A IL-2 é uma das mais importantes moléculas sinalizadoras iniciais em uma resposta imune. A IL-2 tem sido usada para estimular linfócitos do sangue periférico in vitro (terapia LAK) e para estimular os linfócitos infiltrados em tumores in vitro (terapia TIL) com variado sucesso. A IL-2 é um dos poucos modificadores de resposta biológica aprovado pelo FDA para administração exógena como um agente antitumor. A IL-2 também tem sido utilizada como uma proteína expressada ectopicamente em vacinas de células DNA recombinantes, de modo que as células tumorais imunizadoras estão localmente estimulando respostas imunes.

A IL-12 está envolvida na estimulação da diferenciação dos linfócitos helpers nas células tipo Thl , os quais acredita-se serem mais importantes na defesa contra tumores mediada por células do que são os linfócitos helpers tipo Th2, que representam a outra maior via de diferenciação para células helpers.


IFN-g

O IFN-g é o interferon que é mais frequentemente usado em conjunto com a terapia de vacinas. O papel mais importante do IFN-g é ativar macrófagos e estimular a produção de anticorpos pelas células B. O IFN-g tem sido usado como uma terapia independente para tumores e como um adjuvante.


Encontrando Experimentos de Vacinas de Melanoma

Existem mais de 100 experimentos patrocinados ou aprovados pelo Instituto Nacional de Câncer (INC)(14) para o tratamento de melanoma ou tratamento de melanoma por meio de vacinas ou modificadores de resposta biológica ou ambos. O website do INC é a melhor fonte para encontrar esses experimentos. Usando as palavras-chave "melanoma" e "vacina", experimentos de vacinas de melanoma podem ser identificados nacional ou regionalmente.

Existem também experimentos patrocinados comercialmente que podem ser encontrados na Internet. A Genzyme Corporation está patrocinando um experimento fase I de vacinas peptídicas. A Progenics Corporation tem um experimento de fase III do antígeno gangliosídico GM2. A Avax Technologies tem um experimento de fase III para uma vacina de células autólogas utilizando um adjuvante haptênico. A disponibilidade regional desses experimentos vai variar, então o interessado deve checar o website para verificar se um centro participante está na área geografica desejada.

Outras fontes de vacinas experimentais incluem organização de experimentos clínicos tais como o Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG, ) e o Southwestern Oncology Group (SWOG). Uma rede de recursos particularmente boa (embora orientada inicialmente para pacientes de melanoma) é a Página de Informacao do paciente com Melanoma (Melanoma Patient's Information Page) (20). Esse recurso tem informação sobre estagiamento e outras materias educacionais gerais para pacientes de melanoma além de informações sobre disponibilidade de experimentos clínicos.

Seu oncologista local é também potencialmente uma boa fonte de informação sobre os experimentos disponíveis em sua área. Todavia, você não deve deixar sua pesquisa por experimentos clínicos começar e parar com esse único recurso, visto que é difícil para um único médico manter registro de todos os experimentos clínicos para os quais cada paciente de melanoma seja elegível. A melhor informação sobre experimentos disponíveis para um paciente individual é normalmente obtida através de esforço coordenado de um médico competente e interessado.

Atualmente, a maioria das vacinas de melanoma são orientadas aos pacientes com doenças avançadas, porque esses indivíduos tem menos a perder e mais a ganhar ao se voluntariarem para terapias experimentais. Todavia, devido à geralmente baixa toxicidade das vacinas de melanoma comparadas com outros regimes adjuvantes, tais como altas doses de interferon alfa, é apenas uma questão de tempo para que essas terapias sejam aplicadas em uma base rotineira para pacientes em estágio I com alto risco de recaída. À medida que questões de eficácia sejam trabalhadas em pacientes com doença mais avançada, os casos para se oferecer os mesmos benefícios a pacientes de alto risco de estágio I se tornarão mais convincentes. Assim, é importante para os dermatologistas tornarem-se familiarizados com as vacinas de melanoma visto que é provável que eles irão desempenhar um papel cada vez mais importante na manutenção de pacientes em estágio I. O especialista em pele que faz o diagnóstico deve estar preparado a oferecer tratamento apropriado e/ou encaminhar.

Referencias

1. Ollila DW, Kelley MC, Gammon G, Morton DL. Overview of melanoma vaccines: active specific immunotherapy for melanoma patients. Semin Surg Oncol 1998;14(4):328-36. PubMed

2. Berd D, Kairys J, Dunton C, Mastrangelo MJ, Sato T, Maguire HC Jr. Autologous, hapten-modified vaccine as a treatment for human cancers. Semin Oncol 1998;25(6):646-53. PubMed

3. Soiffer R, Lynch T, Mihm M, Jung K, Rhuda C, Schmollinger JC, Hodi FS, Liebster L, Lam P, Mentzer S, Singer S, Tanabe KK, Cosimi AB, Duda R, Sober A, Bhan A, Daley J, Neuberg D, Parry G, Rokovich J, Richards L, Drayer J, Berns A, Clift S, Dranoff G, et al. Vaccination with irradiated autologous melanoma cells engineered to secrete human granulocyte-macrophage colony-stimulating factor generates potent antitumor immunity in patients with metastatic melanoma. Proc Natl Acad Sci U S A 1998;95(22):13141-6. PubMed

4. Schreiber S, Kampgen E, Wagner E, Pirkhammer D, Trcka J, Korschan H, Lindemann A, Dorffner R, Kittler H, Kasteliz F, Kupcu Z, Sinski A, Zatloukal K, Buschle M, Schmidt W, Birnstiel M, Kempe RE, Voigt T, Weber HA, Pehamberger H, Mertelsmann R, Brocker EB, Wolff K, Stingl G. Immunotherapy of metastatic malignant melanoma by a vaccine consisting of autologous interleukin 2-transfected cancer cells: outcome of a phase I study. Hum Gene Ther 1999;10(6):983-93. PubMed

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