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Tricoepitelioma solitario gigante
Jemec B, , Løvgreen Nielsen P, Jemec G B E, and E Balslev
Dermatology Online Journal 5(1):1
Traduzido para o portugues por Dr Ilo Furtado, Fortaleza, Brasil

da Clinica de Cirurgia Plastica e Reconstrutiva, Copenhaguem Departamento de Patologia, Hospital Hvidovre, Universidade de Copenhaguem, Div. de Dermatologia, Departamento de Medicina, e Dep. de Patologia, Hospital Roskilde, Roskilde, Dinamarca.

Resumo

O tricoepitelioma solitario gigante eh um raro tumor tricogenico com potencial de recorrencia local. Somente nove casos foram descritos na literatura, e um caso adicional sem recorrencia durante os primeiros 3 anos e 6 meses de observacao eh apresentado, reforcando a baixa taxa de recorrencia.




Introducao

A epidemiologia e exato potencial maligno de tumores raros sao, em geral, dificeis de avaliar. Os tumores mais comuns ou mais letais geralmente estao bem descritos, ou por se apresentarem em estudos regulares na populacao, ou por serem diagnosticados e tratados em centros especificos onde o acompanhamento se torna muito mais facil. Devido ao grande numero de tumores raros, nenhum desses metodos pode ser utilizado, e o conhecimento depende da compilacao de casos isolados.

Relato de Caso

Um homem de 48 anos foi encaminhado para excisao de grande massa subcutanea no ombro esquerdo. O tumor crescia lentamente, mas não causava sintomas subjetivos. A inspecao, um tumor subcutaneo medindo 4 x 2 x 1,5 cm foi encontrado. Assemelhava-se clinicamente a um lipoma e nao havia qualquer ganglio linfatico regional palpavel.

O tumor foi excisado sob anestesia local. O tecido era bem demarcado, de consistencia solida, cor branca, e lobulado. Histo- logicamente, era inteiramente subcutaneo, com a epiderme, acima dele, normal. Era composto por lobulos com faixas de anastomose de celulas basaloides sem atipias; tudo cercado por um estroma fibromixoide.


Figura 1Figura 2
Figura 1: O tumor esta composto por lobulos com faixas anastomoticas de celulas basaloides uniformes, congregadas em estruturas de celulas pilosas imaturas sem atipias, tudo envolvido em um estroma fibromixoide.
Figure 2: A natureza glandular do TSG.

Em varios pontos, as celulas estao congregadas em estruturas de celulas pilosas imaturas e o tumor nao mostra evidencia de malig- nidade. Veja a Fig. 1. Isso foi relatado como um Tricoepitelioma Solitario Gigante. Nenhum sinal de recorrencia foi visto durante os primeiros 45 meses de acompanhamento da evolucao.

Figura 3Figura 4
Figura 3.: Estroma em redemoinho abaixo do epitelio.
Figura 4.: Elementos nodulares.

Discussao

Figura 5
Figura 5: Tricoepitelioma Solitario Gigante

Tricoepitelioma Solitario Gigante (TSG) eh uma incomum neoplasia do foliculo piloso e apenas nove casos haviam sido relatados na literatura (tabela 1). Recorrencia foi descrita [1], mas nosso conhecimento do comportamento clinico do tumor e de sua taxa de recorrencia eh limitado.

Devido a raridade desses tumores de foliculo piloso, sua classificacao eh dificil e varios esquemas tem sido propostos. Tumores de foliculo sao manifestacoes biologicas heterogeneas de interacoes epiteliais e mesenquimais e tem sido classificados de acordo com a predominancia relativa de um dos componentes.[2, 3] Rosen[4] propos outra classificacao onde os tumores estao divididos em categorias, dependendo de sua semelhanca com qual parte do foliculo em desenvolvimento. Ackerman tambem [5]classificou os tumores benignos do foliculo piloso por sua parte morfologica mais proeminente. Tendo encontrado sobreposicoes entre tumores descritos para fins histopatologicos, Wong et al (Wong 1993) propuseram uma nomenclatura simplificada onde tumores semelhantes foram agrupados sob o termo tumores tricogenicos benignos, assim evitando essa sobreposicao devido a descricao excessivamente detalhada de poucos casos. A antiga descricao precisa e detalhada dos tumores tambem foi considerada desnecessaria por Schirren et al [7], principalmente por acreditarem que os tumores descritos mostravam uma serie de sutis mudancas morfologicas com grande semelhanca. Propuseram que todo tumor com uma celula germinativa folicular fosse denominado Tricoblastoma. Evidenciamos, ao agruparmos todas as classificacoes acima, que o TSG eh sempre descrito separadamente. Relatos descrevendo tricoblastomas foram, dessa forma, excluidos de nossa pesquisa.

O tricoepitelioma surge no segmento inferior do epitelio folicular como um hamartoma.[3, 4] Tres formas clinicas de tricoepitelioma sao reconhecidas [8, 9]:

  • uma forma solitaria e pequena
  • uma pequena forma multipla que eh herdada de modo autos- somico dominante
  • uma rara forma solitaria gigante

Histologicamente [9], todas as tres formas de tricoepitelima sao semelhantes, mas nao identicas. Todas mostram um tumor bem demarcado, nitidamente diferenciado como estruturas formadoras de pelos. Pelo imaturo aparece como cistos ceratinosos cercados por celulas basofilicas em um padrao adenoide. Alem das obvias diferencas clinicas de tamanho e numero entre os tipos de tricoepiteliomas, o tecido subcutaneo [1,9] e a presenca de extenso estroma fibromixoide [9] , tem sido definido como um tricoepitelioma solitario com um diametro maior que 2 cm [10]. Poucos casos de TSG tem sido descritos (tabela 1) tornando escassos os dados clinicos.

Embora o TSG tenha sido descrito na cabeca, sete dos nove casos ja descritos ocorreram na parte inferior do corpo. A media de idade dos casos publicados foi de 60 anos com uma faixa de 31-77 anos, sugerindo que o tumor pode surgir em qualquer idade, mas mostra predilecao pelo grupo mais idoso. Os tumores relatados vinham crescendo a uma media de 25,4 anos antes da excisao, e a relacao M:F dos casos relatados foi 2:1. A maioria dos TSG foram subcutaneos, mas formas pedunculada[11], ulcerada [12] e cistica [13] tambem foram relatadas, da mesma forma.




Caso
no.
Idade
Anos
SexTamanho do Tumor
(cm)
Duracao
(Anos)
LocalRecorrencia/
observacao
11058 M 8 (0) 20 Coxa Direita Nenhuma/?
214 70 M 2.5x1.5 ? Nariz Nenhuma/
1 ano
311 53 M 6.5x4.5x3.0 3.5 Coxa Direita Nenhuma/
9 meses
415 77 F 3.5x3.5.2.5 7 Fenda natal Nenhuma
18 mo.
515 71 M 5.0x3.5x2.5 muitas Nadega Nenhuma Nenhuma/
1 ano
615 70 F 3.5x2.5x2.0 10 Fenda natal Nenhuma/
6 meses
71 31 M 2 (0) ? Escroto 17 Anos
81 3 (0) 0.5 Cicatriz Nenhuma/?
912 67 F 17.0x8.0 15-20 Abdomen Nenhuma/?
10 48 M 4.0x2.0x1.5 ? Ombro
Esquerdor
Nenhuma/
3.5 y



Tabela 1: Visao geral dos aspectos clinicos chave dos TSG ja descritos.

Tricoepiteliomas, em geral, sao tumores benignos, mas em um dos apenas nove casos publicados da forma solitaria gigante, recorrencia apos cirurgia foi descrita e, assim, uma crescente conscientizacao clinica e um acompanhamento do paciente parecem estar indicados nessa rara neoplasia.


Referencias

1. Beck S, Cotton DWK: Recurrent Solitary Giant Trichoepithelioma located in the perianal area; a case report, Br J Dermatol . 118: 563-66, 1988.

2. Headington, JT: Differentiating neoplasms of Hair germ. J Clin Path. 23: 464-471, 1970.

3. Headington JT. Tumours of the Hair Follicle. Am J Path. 85, no 2, p.480-514, Nov 1976.

4. Rosen LB. A Review and Proposed New Classification of Benign Acquired Neoplasms with Hairfollicle differentiation. Am J Dermatopath. 12(5):496-516,1990.

5. Ackerman AB, De Viragh PA, Chongchitnant N(1993). In: (eds) Neoplasms with Follicular differentiation. Lea & Feibiger, Philadelphia London, pp. 359-422.

6. Wong T-Y, Reed JA, Suster S, Flynn SD, Mihm MC. Benign trichogenic tumors: a report of two cases supporting a simplified nomenclature. Histopath 22; 575-580, 1993.

7. Schirren CG, Rütten A, Sander C, McClain S,Diaz C, Kind P. Das Trichoblastom. Ein Tumor mit follikulärer Differenzierung. Hautarzt . 46: 81-86, 1995.

8. Lever WF, Schaumberg-Lever G. Histopathology of the Skin. JB Lippincott Co.: Philadelphia, 1990, p. 579-83

9. McKee PH. Pathology of the Skin with Clinical correlations. JB Lippincott Co. : Philadelphia, 1989 p. 15.26

10. Czernobilsky B, Giant Solitary Trichoepithelioma, Arch Dermatol. 105: 587-8, 1972.

11. Filho GB, Toppa N H, Miranda D, Matos M P, da Silva A L. Giant Solitary Trichoepithelioma, Arch Dermatol. 120; 797-798, 1984.

12. Oursin C, Krüger H-J, Sigmund G, Hellerich U. MR-Bildgebung bei einem "Solitären Riesentrichoepitheliom" der Haut, Radiologie. 31:574-576, 1991.

13. Lorenzo MJ, Yebra-Pimentel MT, Peteiro C, Toribio J. Cystic Giant Solitary Trichoepithelioma. Am J Dermatpath 14(2): 155-160,1992.

14. Dvir E. Solitary Trichoepithelioma in a 70-Year-Old Man. Arch Dermatol. 117:455-456, Aug 1981.

15. Tatnall FM, Wilson Jones E. Giant solitary trichoepitheliomas located in the perianal area: a report of three cases. Br J Dermatol. 115: 91-99, 1986.