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Dermatologia e a pratica medica: Opcoes para o milenio
Daniel Siegel MD
Dermatology Online Journal 4(1): 12

Traduzido para o portugues por George Barros Leal , Fortaleza, Brasil


O artigo nesta edicao de autoria de Thompson e co-autores eh de dar asas ao pensamento. Cada leitor, a partir de sua propria perspectiva, pode interpretar o artigo diferentemente. Da perspectiva do profissional que exerce suas atividades na area urbana super assistida, onde propagandas de pagina inteira em jornais anunciam as habilidades de dermatologistas especializados em remover gorduras e rugas, bem que pode constituir um grande excesso. Por outro lado, a partir da perspectiva do paciente na comunidade rural para quem o mais proximo dermatologista encontra-se a uma hora ou mais de distancia, existe uma carencia desesperadora.

A realidade objetiva encontra-se em algum lugar no meio e o credito (ou culpa) pode ser enquadrado nas cabecas dos academicistas que expandem programas de treinamento de encontro as necessidades de servicos institucionais, sem considerar a consequencia a longo prazo deste ato. A desintegracao parecia bem distante há ate bem pouco tempo, como os meados dos anos 80, antes da arremetida do massacrante sistema de "managed care".

Mais residentes significavam mais prestigio, prestigio significava poder e poder significava mais residentes. Este ciclo persiste ate o dia de hoje em muitas especialidades e algumas já se encontram diante de problemas, como a anestesiologia, onde há poucos anos muitas posicoes ainda não haviam sido preenchidas pois as antigas turmas que se formavam não podiam encontrar empregos; e oftalmologia, onde emprego permanente e sociedade entre medicos estao ficando cada vez mais raros (comunicacoes de cunho pessoal) porque o suprimento em muito excedeu a demanda.

Em dermatologia, nos temos tido sucesso em manter a demanda alta atraves da criacao de novos servicos, muitos dos quais são de natureza cosmetica. Em alguns casos, isto encontra-se sob o risco de se desenvolver habilidades na dermatologia classica, colocando-nos em risco de perder esta valiosa arte clinica. Enquanto qualquer um pode "tratar" acne ou psoriase somente um clinico treinado pode "administrar" estas e outras doencas cutaneas. Infelizmente, a habilidade de se responder verbatim textos memorizados durante exames curriculares e a habilidade de lidar com pacientes não parecem se correlacionar, de tal forma que muitos pacientes podem muito bem estar procurando cuidado no seio de generalistas menos empiricos e mais "compreensivos".

Por muitos anos, DST, lepra e doencas do conectivo constituiram um campo primariamente do dermatologista. Nos temos cedido muito a outras especialidades , da mesma forma que, ao inves de mantermos habilidades caracteristicas, tentamos emular e disputar junto a outras especialidades que tambem estao muitas vezes nestas situacoes de excesso.

Uma transicao radical poderia permitir a sobrevivencia da dermatologia como uma especialidade a parte, de acordo com nossas necessidades e aquelas de nossos pacientes.

Uma abordagem poderia ser a instituicao de uma moratoria em novos programas de treinamento e alterar alguns programs d atuais de tal forma que ao inves de tres anos de clinica seguidos por clinica privada (o cenario mais comum, apesar de que quase todos os aplicantes tenham tido de 3 a 6 meses de rotacao em um laboratorio "de marca"), aplicantes com orientacao de pesquisa deveriam entrar num programa de 6 anos, sendo o primeiro ano de residencia um ano de clinica medica, enquanto os anos dois a cinco seriam gastos na obtencao de um PHD ou fazendo trabalho pos doctoral como soa apropriado, com um pequeno mas significativo credito de continuidade clinica. O sexto e ultimo ano poderia ser uma combinacao de pesquisa e chefia de residencia, onde conhecimentos administrativos e de ensino poderiam ser oferecidos e planos para o futuro (desejosamente em academia) seriam perpretados.

Aplicantes com orientacao clinica e mentes analiticas tambem passariam seis anos mas para estes os anos de dois a cinco seriam empregados na obtencao da combinacao de MBA, adminsitracao e/ou treinamento em saude publica, culminando em conhecimentos e credenciais que os capacitariam a se tornarem lideres, tanto em dermatologia como em medicina. O sexto ano seria um ano de chefia em residencia com responsabilidade de ensino institucional com o objetivo de ser repartido entre seus negocios e conhecimento de saude publica.

Os aplicantes clinicos puros tambem fariam um resumido sexto ano, com os anos quatro a seis em treinamento em subespecialidades como dermatologia pediatrica, cirurgia dermatologica, dermatopatologia, lesoes pigmentadas, doencas do conectivo, imunodermatologia e outras especialidades a medida que surjam. Estes individuos teriam entao um conhecimento especial para oferecer a seus pacientes, que de outra forma não teriam acesso a esta vantagem. Os ultimos tres anos poderiam ser empregados em umka ou mais destas areas.

O alongamento do fio a percorrer pode desencorajar alguns aplicantes, mas aqueles dedicados a dermatologia como especialidade ainda assumiriam as condicoes.

Outras solucoes podem existir e a busca destas pode beneficiar nossa especialidade de tal forma que tenham uma posicao forte no proximo milenio, a sobreviver qualquer que seja o destino da medicina.




© 1998 Dermatology Online Journal