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| Figura 1 | Figura 2 |
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Figuras 1 e 2 : Psoríase pustular em palmas e dorsos das mãos 3 dias após
início do uso do spray.
Um homem de 53 anos com história de psoríase tipo placa estável crônica
apresentando-se com aumento de eritema, enduração e pustulas em mãos, abdomem e
coxas, 3 dias após o início do uso do spray para couro cabeludo. Ele também
notou escurecimento da urina e fadiga. Não estava em uso de qualquer outro
medicamento e não tinha história clínica antecedente que contribuísse. Em
particular, negou história pregressa de hepatite ou psoríase pustular. Uma
revisão dos sistemas revelou ingestão alcóolica de 2 a 3 garrafas de cerveja
por semana e 1 a 2 copos de vinho por noite diariamente. Ele negou história
recente de infecção de trato respiratório superior, sintomas gripais ou
ingestão de frutos do mar. Ele não tinha história pregressa de dermatite de
contato alérgica a nenhum medicamento tópico ou shampoos. Descontinuou uso do
spray para couro cabeludo no 4º dia e foi avaliado 5 dias após. O exame físico
revelou sinais eritematosos com micropústulas dispersas em mãos (veja figura),
antebraços, abdomem e parte superior das coxas envolvendo aproximadamente 15%
da superfície corporea total. Ele estava febril e não foi notado sinal de
icterícia na esclera.
Investigações laboratoriais revelaram AST 165 (níveis de referência <37) U/L,
ALP 183 (níveis de referência 50-130) U/L, bilirrubina total de 19,4 (<18) U/L.
Sorologia para hepatites A,B e C foram negativas assim como o ANA (anticorpo
antinuclear) e o ENA (antígeno nuclear extraído).
O manuseio do caso consiste em compressas frias e pomada de propionato de
halobetosol. No 10º dia de seguimento, melhora significativa com redução do
eritema pustular foi notada acompanhada de normalização dos testes de função
hepática. O paciente recusou-se a repetir a aplicação do spray para fazer teste
de contato. Não foram realizados testes de contato com ingredientes individuais
do spray.
Discussão
O spray para couro cabeludo é uma preparação tópica contendo zinco PYRITHIONE
(0,2 %), sulfato de etil metil sódio (0,01 %), MYRISTATE isopropil, álcool e
isobutano. Destes ingredientes, o lauril sulfato de sódio e o álcool são
potenciais irritantes e alergenos ocasionais enquanto o zinco PYRITHIONE e o
isopropil MYRISTATE são raros alergenos de contato. O lauril sulfato de sódio,
um agente emulsificante, pode aumentar a penetração percutânea das outras
substâncias incluindo outros potenciais irritantes e alergenos. O álcool tem
sido incluído em dermatites de contato sistêmicas aonde a ingestão de álcool
por indivíduos sensibilizados por contato externo pode levar a extenso
eczematização (4). Além disso, o álcool é um conhecido hepatotóxico e um fator
agravante potencial na psoríase.
A associação temporária do uso do spray e o desenvolvimento de psoríase
pustular acompanhada de sintomas e evidencias laboratoriais de hepatotoxidade
sugere uma provável ligação desses eventos. Contra o antepassado da ingestão
alcoólica pré existente neste paciente, existe a possibilidade de que o álcool
adicional contido no spray pode ter diretamente precipitado a psoríase pustular
e a hepatotoxidade neste paciente. Alternativamente, um ingrediente do spray
pode ter resultado em sensibilização tópica resultando em um Koebner
sistematizado com subsequente aparecimento da psoríase pustular e a
hepatotoxidade.
Este caso serve para ilustrar a importância da manutenção de vigilância para a
possibilidade de desenvolvimento de efeitos adversos em preparações as quais os
pacientes podem não serem advertidos sobre riscos adversos. No caso do spray,
alertar o paciente sobre a possibilidade desta reação adversa e orientar sobre
interação com ingestão de álcool é apropriado.
Jerry K. L. Tan, MD, FRCP
References
1. Gallego H. Letter 111. Dr. Gallego Adds. Schoch Letter 1997; 47:26.
2. Crutchfield CE, Lewis EJ, Zelickson BD. The Effective Use of Topical
Zinc
Pyrithione in the Treatment of Psoriasis: A Report of Three Cases. J
Geriatr
Dermatol 1997; 5:21-4.
3. Shelley WB, Shelley ED. Portrait of a Practice. Cutis 1997;59:181-2.
4. Fisher AA. Contact Dermatitis. Philadelphia: Lea-Febiger; 1986.
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